quinta-feira, 1 de agosto de 2013
terça-feira, 18 de junho de 2013
Relato da manifestação de ontem: “Há todo instante rola um movimento que muda os rumos dos ventos”
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| Embora poucos, manifestantes levantaram cartazes contra a grande mídia |
Fiquei eufórica e mesmo sem ter ido, me identifiquei com a manifestação, reforçada
pela constatação cotidiana de que esse sistema de transporte está bem longe
para ser considerado de má qualidade. É mais do que péssimo!
Então,
com o coração acelerado, fui para a manifestação. Já no metrô, várias pessoas
falavam de vinagre, posts que viram nas redes sociais e que aquele ou outro
amigo também iria. Pensei: “Vai bombar”.
O gigante acordou?
Assim
que desci na estação Faria Lima, vi centenas de pessoas gritaram: “ôôôhh... o
Gigante acordou, o gigante acordou”. Fui da euforia à depressão e na escada
rolante me indignei:
-Como
acordou gente? E o eleição do Lula e da Dilma, a luta pela reserva de vagas, as
manifestações contra a guerra do Iraque,
a luta contra privatização da Vale, o pau cantando nas nossas costas nos
anos de pico do neoliberalismo?
Foi
aí que um menino, que faz cursinho no Anglo, virou pra mim e deu um sorriso, do
tipo “nem sei o que você está falando”. Esse sorriso me fez entender muito
sobre aquele público. Aqueles jovens não votaram no Lula ( e se bobear nem na
Dilma), não lembram o que é Alca, não estavam nas ruas, não conhecem essa pauta.
Infelizmente.
Milhares às ruas
Continuei
andando. E percebi que estava acontecendo algo novo na cidade. Quem participa
de entidade, organização não governamental, movimento social ou sindical sabe o
quanto é difícil levar as pessoas para as ruas para protestar. E foi
contagiante.
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| Manifestantes levantaram flores e gritavam "sem violência" |
Não há
qualquer pessoa que acredita que a mobilização de massa é motor para
transformações profundas e não encha seu coração de esperança quando vê as ruas
cheias, pessoas com as caras pintadas, a bandeira do Brasil tremulando, grupos
cantando o hino do Brasil, pessoas que quando se viram refletidas nos grandes
prédios espelhados, gritavam e vibravam pelo tamanho da passeata. Lógico que
essas cenas nos enchem de esperança.
Já
com mais esperança passei por quase toda a passeata. Ia e vinha, passando por
vários grupos e assim ouvi algumas das palavras de ordem:
Contra
a PEC 37 Contra o mensalão Contra a Copa Contra o bolsa família Contra Belo
Monte Contra a transposição do rio São Francisco Contra a existência da PM Contra
os governos Contra a bolsa estupro Contra Dilma Contra Haddad Contra Alckmin
Contra a pesquisa do Datena Contra a corrupção Contra a rede Globo Contra a
revista Veja Pelo fim do vestibular Contra José Eduardo Cardoso Por metrô 24
horas Contra a política Contra os Partidos. Pela redução da passagem, R$3,20
não dá! (Assim, tudo sem vírgula mesmo, para tirar o fôlego)
No
meio das andanças para ver quais eram as bandeiras levantadas nessa salada,
lembrei da matéria da Veja e do artigo do Arnaldo Jabor, intitulado “Eu errei,
não era só por 0,20 centavos”, em que constava boa parte das reivindicações
levantadas por Jabor. Resultado, a mídia ajudou a mobilizar e as suas pautas
estão pegando igual adesivo de campanha eleitoral, que cola na blusa e nunca
mais sai.
A
onda da ideologia dominante que prega ser contra os partidos e o culto ao
individualismo também estava presente na passeata. Histéricos, gritavam
as
palavras de ordem: “O povo unido não precisa de partido” ou “Queima a bandeira
do PT”. Um absurdo, violento, antidemocrático que beirava o fascismo.
Triste.
Uma massa, desgovernada - literalmente, com inúmeras bandeiras, de todos os
tipos, virando a direita. Triste. Mesmo que o Movimento pelo passe livre tenha
focado na questão da tarifa, que foi correto, faltou eles combinarem com os
russos. Nas ruas, os cartazes foram além.
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| Alckmin está saindo ileso. Pressão está em cima de Haddad |
É
bom deixar claro, que foram alguns poucos espontâneos que levantaram cartaz contra o Alckmin. Além
desses espontâneos, os movimentos sociais “tradicionais” como Educafro,
Uneafro, Levante Popular da Juventude, UNE, UBES, UMES, PSOl, Partido Pátria
Livre, UJS e JPT direcionaram a sua mira ao governador.
Mudanças no jeito de fazer política
O
recado que ouvi das ruas é que a política precisa ser mudada. É claro que
alguns pensem: “É por isso que lutamos pela reforma política”.
Está
bem. Estou falando disso, mas não só.
A lógica da política baseada nas suas
superlideranças, superprefeitos, superpresidências, superdeputados, supervereadores, precisa
ser mudada. É preciso ter democracia de fato nas instituições, das prefeituras
ao governo nacional. Mudar da lógica de que as intervenções devem passar
exclusivamente por Fulano ou Beltrano. E isso acontece em todos os partidos e
até mesmo aqueles que se apresentam “sob os nomes mais diversos, mesmo sob o
nome de antipartido e de negação dos partidos”, como observou Gramsci.
O
equilíbrio entre as frentes de atuação, como os movimentos sociais também deve
estar na pauta no dia. Além de as entidades serem vistas como instrumentos de
mobilização, unicamente, mas como espaços de elaboração de política.
Para fechar, é bom lembrar Paulinho da Viola: “Há todo
instante rola um movimento que muda os rumos do vento”. Que esse vento vá para
a esquerda. Vamos à disputa.
“A toda hora rola uma história,
que é preciso estar atento.
A todo
instante rola um movimento
que muda o rumo dos ventos. Quem sabe remar não
estranha”
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Rebelde do Traço
Fiz essa postagem em setembro de 2009 no blog Versos e Prosa (link ao lado).
Hoje faz 25 anos sem Henfil e repito a homenagem.
Homenagem para Henfil
Militante do movimento social e político, mineiro, cartunista, escritor, e jornalista, Henriquinho, filho da inspiradora D. Maria mos deixou traços inconfundíveis.
Em todas as suas atividades, lá estava à bandeira da democracia brasileira. Escrevia cartas para o povo brasileiro, driblando a ditadura com a imagem e características de sua mãe doce e compreensiva. Sofreu com AI 5, seu irmão Betinho foi exilado; no livro Diretas já ele ataca diretamente os grupos oligárquicos do Brasil, que atuavam no centro da política.
O silêncio da Graúna apresentava o grito daqueles que queriam eleger o seu presidente. Sutil e sensível tocava os seus iguais:
"Eu nunca soube amar. Eu nunca soube amar a cada um. Eu nunca soube amá-los como indivíduos. Eu nunca soube aceitá-los como feios, fracos e lentos. Tragam-me um doente e não chorarei com ele. Mas me mostrem um hospital e derramarei rios e mares. Eu não sei falar e ouvir um homem, uma mulher ou uma criança. Eu só sei fazer coletivo, massa, povo, conjunto.”
“Minha arte é fruto da minha importância de viver com vocês”
Mesmo hemofílico, mesmo sabendo que a sua vida poderia ser mais curta que a luta, ele lutava todos os dias, com lápis e papel, com esperança e medo, com silêncio ou paranóia.
Somos tudo que lemos, que vimos, ouvimos; todos os nossos sentidos, todas as relações que já tivemos; todos os projetos que já nos engajamos, todos os protestos que já fomos; todos os atos que não fomos.
A nossa consciência e inconsciência ganha forma para quem esteja interessado em coletivizar e disponibilizar, sem medo do julgamento, da critica e autocrítica. Por isso não só a primeira postagem do blog é uma homenagem a Henfil, mas sim a própria iniciativa de divulgar as nossas em um blog, sem ter como objetivo apenas o contador de visitas.
Cartas da Mãe - Publicada na revista "Isto é", em 1978.
Mãe,
Fiquei muito alegre quando os dubladores entraram em greve. Hah, sim, lembrei. Isso não é do tempo da senhora. Dubladores são aqueles que fazem a voz no lugar dos outros. Por exemplo, a voz da Kelly, uma das panteras, quem faz é a Neuza Amaral. A da Farrah, é a Marilisi….
A greve é justa, questão trabalhista. Ponto final.
Eu estou satisfeito é porque, depois do advento dos dubladores, nunca mais ouvimos a voz real do Kojak. Ficou chatíssimo ver filme de TV. Tanto faz ser John Wayne, Woody Allen ou Baretta. A voz é sempre a mesma do mesmo dublador. E a aflição que dá ver o Marlon Brando movendo os lábios assim, e a voz saindo assado?
Talvez o desespero que toma conta da gente, quando vê um filme dublado, seja apenas identificação. Nossa situação é a mesma, mãe! Nunca notou que a minha voz, a voz da senhora, do Carlito, da Regina, do Alfredo, da Jane, da Nelma, do Humberto, do Ivan, a voz de 110 milhões de brasileiros é feita pelo mesmo dublador?
Eu quero ouvir a minha voz!
Um beijo do seu filho,
Henfil
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Imagens de São Paulo
Existe vida calma no estado de São Paulo e água limpa no Rio Tietê.
À beira do Rio Tietê em Ubarana - SP
Comer, amar e ler...
Depois de um ano agitado, nada melhor que o aconchego da família
para recarregar as energias.
Oriunda de uma família que aprecia a boa culinária, logo na
chegada na casa de minha mãe, ela indaga meu marido:
- Marcelo, o que você quer comer?
Ele, um pouco sem graça e desacostumado, responde:
- Qualquer coisa, mas pode ser um bife à parmeggiana.
Ela atende seu pedido.
A tia liga e pergunta:
- Vocês gostam de Javali assado?
-Hummm... tia, que delicia. É claro que gostamos.
Depois do almoço, um descanso merecido, em frente dos
diversos canais (que não temos), um assistir descompromissado que termina em um
sono leve facilitado com o vento que emana do ventilador.
Acordamos e no meio da tarde, para embalar aquela leitura
leve que ficamos devendo durante o ano, um café forte e puro já nos espera na
mesa.
Acompanhados com Stendhal e Raduan Nassar, seguimos
calmamente para nosso cantinho de descanso. E entre um parágrafo e outro, entre
uma pergunta de significado de alguma palavra desconhecida, o êxtase de uma
frase justa, um carinho.
Fazer carinho com os pés no pé dele, um beijo carinhoso, uma
expressão de mais carinho.
Uma mão no livro e outra no peito – no dele.
Uma mão no livro e outra no rosto – no meu.
E assim, devagar, deliciosamente, vamos aproveitando o
descanso merecido.
domingo, 9 de dezembro de 2012
Crônica (de uma vida) anunciada
Depois de mais de quatro horas no ônibus, suportando a
ansiedade, enfim, ela pôs os pés em solo paulistano.
Não conseguiu dormir durante a viagem e, ao descer do Prata,
seus olhos estavam embaçados.
Sem saber direito para onde ir, ela pegou suas malas e olhou
ao seu redor. Pensou:
- Nossa, quanta gente. É gente demais mesmo.
Era ônibus saindo, chegando, pessoas acenando, criança
correndo e outras gritando.
Até que apareceu alguém para ajudar.
- Moça, posso levar as suas malas?
- Pode, disse ela.
Pensou: que pessoas agradáveis, só por ver aqui sem
conseguir carregar as malas, mesmo sem eu pedir, me socorreu.
Enquanto ele levava suas malas, ela seguia atrás, sem saber
direito para onde estava indo, mas refletia o quanto seria bom viver em São
Paulo, nessa grande cidade.
Sem medo, ela o seguia com passos firmes. Até que logo
quando chegou na catraca do metrô Barra Funda, o homem que carregava as malas,
abriu-lhe um sorriso e disse ao passar as malas pra ela:
- São seis reais.
Ela, ficou alguns segundos sem ter o que falar. Tirou o
dinheiro da carteira, pagou o simpático cidadão; olhou pra cima e viu a placa:
- Bem-vindo a São Paulo.
Pegou as malas e seguiu em direção ao Paraíso.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Existe Amor em São Paulo
Era um dia daqueles.Voltando da USP, na linha Amarela do metrô, vi um homem que me chamou atenção por sua serenidade. Não sou poeta, mas as linhas abaixo foram escritas no vagão, sem ele perceber que havia me dado tanta esperança no ser humano.
Existe Amor em São Paulo
Existe Amor em São Paulo
Com roupas nitidamente velhas,
Tênis Nike suado
Mochila atada com barbante,
Os lírios chamaram atenção
Com olhar lúcido e
firme
As flores brancas deram a manchete
De uma vida doída, porém esperançosa
Deu vontade de puxar papo,
Perguntar para quem eram aquelas flores
De saber mais da sua vida
Mas fiz melhor
Imaginei:
Ele abre o portão e é anunciado
Por um grunhido que denuncia a falta de óleo
Encontra a sua mulher com olhos cansados
E ela abre um largo sorriso
- Toma, é pra tu.
Diz ele timidamente
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